segunda-feira, 26 de março de 2012

Perguntas para o trabalho - texto Século XIX na Europa: o impressionismo

1. Pensando na principal preocupação dos pintores impressionistas em sua arte, elabore uma explicação para o te "impressionismo". 


2. Em seus procedimentos, os impressionistas tinham uma visão inovadora do trabalho com a cor. Qual era ela?


3. O Impressionismo revolucionou a arte, mas já podemos ver, em artistas de períodos anteriores, preocupações próximas desse movimento, como a de retratar o dinamismo da natureza. Leia o texto " Século XIX na Europa: as inovações na arte" para localizar, um exemplo de artista em que essa semelhança é bastante evidente. Aponte duas características de seu trabalho que justifiquem essa afirmação.

Perguntas do trabalho - Texto arte rupestre


1. Que acontecimentos marcaram o início do interesse do artista pré-histórico em retratar a figura humana?

2. Sobre a questão anterior, o que podemos concluir quanto à importância da arte na história humana?

3. Considere as pesquisas arqueológicas feitas no Brasil mencionadas no capítulo e responda:

a) Como é classificada a arte rupestre brasileira? Descreva os dois tipos.

b) Quem são os prováveis autores dessas gravuras e pinturas?

4. A história do Brasil costuma ser contada a partir do ano de 1500. O que as descobertas arqueológicas brasileiras nos fazem concluir a esse respeito?

Perguntas do trabalho - O renascimento na Alemanha e nos Países Baixos


1. O Renascimento italiano influenciou fortemente os artistas da Alemanha e dos Países Baixos. Que características você identifica nas obras do pintor alemão Albrecht Dürer que também estão presentes nas obras de artistas ita­lianos da época, como Da Vinci e Brunelleschi?

2. Pela leitura deste capítulo é possível perceber que área das artes plásticas, na Alemanha e nos Países Baixos, foi mais influenciada pelo Renascimento italiano? Em caso afirmativo, responda qual foi ela.

3. A tela Jogos infantis, de Bruegel, é um grande painel em que cerca de 250 crianças aparecem envolvidas em mais de oitenta diferentes brincadeiras infantis.

a) Algumas dessas brincadeiras são conhecidas ainda hoje. Você consegue identificá-las? Quais são?

b) Um aspecto que chama a atenção no quadro de Bruegel é que as crianças não parecem felizes, pois não sorriem. Que sentimentos ou idéias essa característica do quadro provoca em você?

Perguntas do trabalho - Texto "A arte românica"


1. Explique o porquê do nome "românico", que designa as obras arquitetônicas do fim dos séculos XI e XII, na Europa.

2. Aponte as principais características da arquitetura românica.

3. Por que, naquela época, a pintura e a escultura eram tão importantes como meio de transmissão dos valores religiosos e das narrativas bíblicas?

4. A pintura românica expressou-se principalmente na forma de murais. O que, na arte românica, favoreceu isso?

5. "Podemos concluir que o fato de a pintura românica ter como características a deformação e o colorismo indica uma deficiência técnica dos artistas da época." Essa afirmação está correta ou incorreta? Justifique sua resposta.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Renascimento na Itália

Chamou-se Renascimento o movimento cultural desenvolvido na Europa entre 1300 e 1650, Tal nome sugere um sú­bito reviver dos ideais greco-romanos, o que não é de todo correto: mesmo no período medieval o interesse pela cultura clássica não desapareceu. Exemplo disso é Dante Alighieri (1265-1321), poeta italiano que manifestou entusiasmo pelos clássicos. Também nas escolas das catedrais e dos mosteiros, autores latinos e filósofos gregos eram muito estudados.

A arquitetura

No período românico construíam-se templos fechados. A arquitetura gótica buscou a verticalidade. Já o arquiteto do Renascimento bus­cou espaços em que as partes do edifício pare­cessem proporcionais entre si. Procurou, ainda, uma ordem que superasse a busca do infinito das catedrais góticas.

Um dos primeiros arquitetos a expressar esses ideais foi Filippo Brunelleschi (1377-1446). Exemplo de artista completo, foi pintor, escul­tor e arquiteto, além de dominar conhecimentos de matemática e geometria. Destacou-se como construtor e teve participação decisiva na construção da catedral de Florença - igreja de Santa Maria dei Fiore. A construção dessa catedral começou em 1296; em 1369 as obras haviam terminado, mas o espaço a ser ocupado por uma cúpula continuava aberto. Em 1420, coube a Brunelleschi projetá-la.

Humanismo, o espírito do Renascimento

Podemos entender humanismo como a valorização do ser humano e da natureza em oposição ao divino e ao sobrenatural, idéias muito presentes na Idade Média.

Os artistas do Renascimento expressaram sempre os maiores valores da época: a racionalidade - traduzida no rigor científico, na experimentação e na observação da natureza - e a dignidade humana.

A pintura

No fim da Idade Média e no Renascimento, predomina uma interpretação científica do mundo. Sobretudo na pintura, isso se traduz nos estudos da perspectiva segundo os princípios da matemática e da geometria. O uso da perspectiva conduz a outra tendência do período: o uso do claro-escuro, que consiste em pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra. Esse jogo de contrastes dá aos cor­pos uma aparência de volume. A combinação da perspectiva e do claro-escuro, por sua vez, contribui para dar maior realismo às pinturas, isto é, torna-as mais próximas da realidade.

Outro aspecto da arte do Renascimento, em especial da pintura, é a formação de um estilo pessoal. Mais livre em relação ao rei e à Igreja, o artista é como o vemos hoje: um criador inde­pendente, que se expressa contando apenas com sua capacidade de criação. Daí haver, no Renascimento, inúmeros artistas de prestígio, com características próprias.
Piero delia Francesca: a geometria do humano

Para Piero delia Francesca (1410-1492) a pintura não tem por função principal  representar ­um acontecimento ou transmitir emoções, co­mo alegria, tristeza, sensualidade. Sua obra apresenta, muitas vezes, uma composição geométrica combinada ao uso de áreas de luz e sombra.

Botticelli: a linha que sugere ritmo 

Sandro Botticelli (1445-1510) é considerado o artista que melhor transmitiu, no desenho, um ritmo suave e gracioso às figuras. Seus qua­dros - com temas tirados da Antiguidade grega ou da tradição cristã - buscam expressar o ideal de beleza do artista.

Leonardo da Vinci: conhecimento científico e beleza artística

Da Vinci (1452-1519) teve múltiplos interesses e habilidades. Aos 17 anos, em Florença, foi aprendiz de Verrocchio, escultor e pintor con­sagrado. Em 1482 foi para Milão, onde fez um projeto urbanístico completo para a cidade: uma rede de canais e um sistema de abastecimento de água e de esgotos, ruas alinha­das, praças e jardins públicos.

Por volta de 1500 o artista passou a dedi­car-se a estudos de perspectiva, óptica, pro­porções e anatomia. Nessa época, fez milhares de desenhos com anotações e os mais diversos estudos sobre anatomia humana, proporções de animais, movimentos, plantas de edifícios e engenhos mecânicos.

Da Vinci pintou pouco: o afresco mural Últi­ma ceia (fig. 7.9) e cerca de quinze quadros, entre os quais destacam-se Mona Lisa e A virgem e o menino. Dominou com sabe­doria o jogo de luz e sombra e criou uma atmosfera que, partindo da realidade, esti­mula a imaginação do observador.

Michelangelo: a expressão da dignidade humana

Aos 13 anos, Michelangelo (1475-1564) foi aprendiz de Domenico Ghirlandaio, consagra­do pintor de Florença. Depois, freqüentou a escola de escultura mantida por Lourenço Médici, também em Florença. Entre 1508 e 1512, trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano, para o qual concebeu gran­de número de cenas do Antigo Testamento.

Rafael: a simplicidade e a harmonia

Rafael Sanzio (1483-1520) é considerado o pin­tor renascentista que melhor desenvolveu os ideais clássicos de beleza: harmonia e regula­ridade de formas e cores. Tornou-se muito conhecido por pintar as figuras de Maria e Jesus, e seu trabalho transformou-se em modelo para o ensino de pintura em muitas escolas mais tradicionais.

A escultura

Na escultura italiana do Renascimento destacam-se Michelangelo e Andrea dei Verrocchio. Verrocchio (1435-1488) trabalhou em ourive­saria, o que influenciou sua escultura: algumas de suas obras possuem detalhes que lembram o trabalho de um ourives - artesão que trabalha com peças de ouro. Entre elas, destaca-se Davi, escultura da personagem bí­blica que venceu o gigante Golias, poderoso soldado de um exército inimigo do povo de Israel. Quando a observamos, inevitavelmente a comparamos ao Davi de Michelangelo, pois as duas figuras são extremamente diversas entre si.

Na escultura, a criatividade de Michelangelo manifestou-se ainda em outros trabalhos, como a Pietà, conservada atualmente na basílica de São Pedro, em Roma.

domingo, 11 de março de 2012

Texto Complementar sobre o impressionismo

Regata em Argenteuil (1872) de Monet


Regata em Argenteuil sob céu escuro (1874), de Monet


Cor e movimento no pincel

Observe, nestas duas obras acima, os seguintes aspectos: ausência de contornos nítidos nos barcos, casas, pessoas e árvores; evidência das pinceladas coloridas do artista; reflexo dos barcos, das casas e das árvores. Nas duas telas a paisagem é a mesma; o que difere é o ponto de onde ela é vista e a luz do dia que cada imagem reflete. Em uma delas, há sol e a água parece tranquila; na outra, temos a impressão de um dia nublado e de vento, pois as pinceladas com que o artista pintou a água sugerem agitação.



Procedimentos gerais dos impressionistas

· A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente dependendo da incidência da luz do Sol.

· As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é só uma forma encontrada pelo ser humano para representar, por meio de imagens, a natureza, os objetos, os seres em geral, etc.

· As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras ou pretas, como os pintores as representavam até então.
· As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta. Devem ser puras e utilizadas na tela em pequenas pinceladas. É o observador que, ao apreciar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura das cores passa a ser, portanto, resultado do olhar humano e não da técnica do pintor, pois ele não as mistura em sua paleta.


Catedral de Rouen em tempo ensolarado (1894)

Catedral de Rouen em pleno sol, harmonia em azul e ouro (1893)

Catedral de Rouen em tempo nublado (1892)

A passagem da luz em Rouen

A catedral de Rouen, importante cidade da França, começou a ser erguida no final do século XII e é uma das mais belas construções góticas francesas. Observe, nas três telas ao lado, a variação das cores e da aparência da fachada da catedral. A causa dessa variação é a mudança da luz solar: Monet fez as pinturas em diferentes momentos do dia, comprovando sua idéia de que as cores da natureza e dos objetos expostos ao ar livre se modificam constantemente, dependendo da incidência da luz do Sol.





A dança das cores

Le Moulin de la Galette era um café em Montmartre, Paris, onde aos domingos se dançava ao ar livre, sob as árvores e a luz natural do jardim. Observe o grande número de pessoas que parecem mover-se felizes durante o baile. Note as pinceladas coloridas nas roupas: não se trata de manchas, mas dos diferentes modos como os tecidos refletem a luz que ilumina o local.
Os tons de azul, rosa e amarelo sugerem o movimento dos casais em sua dança.



La Grenouillière (1869), de Monet.


La Grenouillière (1869), de Renoir.

Um só tema, duas visões

La Grenouillière era o nome de um restaurante nos arredores de Paris, muito procurado aos domingos. Observe como os dois artistas pintaram um momento alegre para um grupo de pessoas. Embora semelhantes, as cenas têm diferenças, duas das quais chamam mais a atenção: a primeira é que cada pintor parece ter visto a cena de um ponto diferente; a segunda é que cada um parece tê-la visto com uma iluminação solar diferente. Nas duas, porém, notamos o mesmo aspecto do Impressionismo: é o observador que une visualmente as pinceladas coloridas e compõe o todo, percebido como um grupo se divertindo.







Leveza e movimento O Opera era o teatro mais importante de Paris,e a palavra foyer, neste caso, designa o espaço do teatro reservado ao ensaio das bailarinas. Veja como Degas compôs a cena: ao centro há espaço vazio, lembrando um círculo; ao redor dele estão o professor de dança, um músico e as bailarinas. Uma bailarina se apresenta ao professor, três fazem exercícios na barra, algumas observam a primeira, outras conversam e uma descansa, sentada. Assim, nosso olhar circula pela cena e podemos ter a impressão de que o movimento iniciado com a bailarina que se apresenta continua no círculo formado pelas outras moças, até chegar à que está sentada. Talvez seja ela a próxima a dançar e retomar o movimento que parece ter parado nela. Note a delicadeza das cores e do desenho. Degas construiu uma cena de leveza e movimento com linhas e cores suaves.
A bolsa de algodão de Nova Orleans (1873), de Degas.
















Flagrantes da vida Entre 1872 e 1873, Degas viveu na casa de seu tio materno, Michel Musson, negociante de algodão na Louisiana, nos Estados Unidos. O quadro retrata homens examinando o produto, fazendo cálculos, trocando ideias, lendo o jornal. Observe como a cena parece uma fotografia, tirada sem que os retratados percebam. Note também que a iluminação é de um ambiente fechado; não há luz solar. Veja, ainda, a importância do branco para quebrar a monotonia dos tons marrons e amarelos.


Tarde de domingo na ilha de Grande Jatte (1884-1886), de Seurat.



A construção com pontos
Observe, nessa cena, uma forma de lazer comum até hoje: passar algumas horas da tarde de domingo em um agradável parque. Os trajes e os acessórios masculinos e femininos são típicos do século XIX. Note, na ampliação ao lado, como a figura foi construída com pequenos pontos. Todos os demais elementos da tela foram pintados desse modo. O que mais chama a atenção é a forma como o artista conseguiu criar áreas de luz e sombra: os pontinhos amarelos nos dão a ideia de luz do sol; os pontinhos mais escuros nos sugerem as sombras causadas pelas copas das árvores e pelas sombrinhas das mulheres.

O circo de  Seurat (1891)




















Uma obra ousada

Essa é uma importante obra pontilhista. Além da técnica, observe a organização dos elementos da cena: em primeiro plano, vemos a cabeça e parte das costas e dos braços de um palhaço. Isso já é uma grande ousadia na pintura: apresentar, em primeiro plano, uma figura incompleta e de costas para o observador. O palhaço e a bailarina que se equilibra no cavalo ocupam a área central; à direita estão o adestrador, o malabarista, um grupo de pessoas com mesmo traje e, mais acima, a orquestra. À esquerda estão o cavalo e parte da plateia. Observe como as linhas curvas predominam à direita e existem em menor número à esquerda, o que dá a impressão de que o movimento vem da direita para a esquerda e descreve um círculo, pois segue a linha do picadeiro.


A boia vermelha de Signac (1895)




















Reflexos por meio de pontos

Observem nessa obra principalmente os pequenos pontos coloridos que, colocados lado a lado, formam todo os elementos representados: o céu, as casas, as embarcações, a água, a boia e o reflexo de tudo isso na água.

Século XIX na Europa: o Impressionismo

Texto que passei na sala de aula

O Impressionismo foi um movimento que revolucionou a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século XX. Os impressionistas buscavam observar os diversos efeitos da luz solar sobre os objetos ao longo do dia para registrar na tela as variações provocadas nas cores da natu¬reza. Eles não chegaram a formar uma escola ou sistema; apenas compartilharam algumas técnicas e procedimentos gerais.

Os grandes pintores impressionistas

O primeiro contato do público com os impressionistas foi em uma exposição coletiva realizada em Paris em 1874. O público e os críticos, porém, reagiram mal ao movimento, pois ainda se mantinham fiéis à pintura tradicional. Só na década seguinte os impressionistas começaram a ser compreendidos.

Monet: as cores mutáveis da natureza

O francês Claude Monet (1840-1926) apreciava a pintura ao ar livre, que lhe permitia reproduzir os efeitos da luz solar diretamente da natureza. O maior exemplo desse interesse está na série que teve como tema a fachada da catedral de Rouen. Ele a pintou em vários momentos do dia, registrando as diferentes impressões que ela lhe causava.

Renoir: alegria e otimismo

Dos impressionistas, o francês Pierre Auguste Renoir (1841-1919) foi o que ganhou maior popularidade, chegando a ter o reconhecimento da crítica ainda em vida. Seus quadros expressam otimismo, alegria e a intensa movimentação da vida parisiense das últimas décadas do século XIX .

Em 1869, Renoir envolveu-se em uma curiosa coincidência. Ele e Monet pintaram a mesma cena: um grupo divertindo-se próximo a um rio. O fato, além de dar fama às duas telas, mostrou bem o empenho de ambos os artistas em explorar as superfícies que refletem a luz.

Degas: a luz dos ambientes fechados

O francês Edgar Degas (1834-1917) participou do impressionismo, mas desenvolveu um estilo diferente: além da cor, a grande paixão dos impressionistas, ele valorizava o desenho. Pintou poucas paisagens e cenas ao ar livre: em seus quadros predominam os ambientes interiores, onde a luz é artificial. Seu grande interesse era flagrar um momento da vida das pessoas, apreender um instante do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto.

A tentativa de flagrar instantes revela a influência da fotografia sobre Degas. É inegável a semelhança de alguns de seus quadros com fotos instantâneas: as pessoas são pintadas como se tivessem sido registradas em um momento da ação que realizam, despreocupadas com a presença do artista.

A evolução do Impressionismo: o Pontilhismo
Em 1886 ocorreu na França a última exposição coletiva dos impressionistas. Uma nova tendência artística teria lugar com dois de seus participantes - Georges Seurat e Paul Signac -, que aprofundaram as pesquisas impressionistas quanto à percepção óptica, isto é, o modo como os objetos são vistos.

Georges Seurat (1859-1891), em especial, reduziu as pinceladas a um sistema de pontos uniformes que, no conjunto, permitem perceber uma cena. Essa técnica foi chamada de pontilhismo: as figuras são representadas com fragmentos ou pontos, cabendo ao observador percebê-las como um todo plenamente organizado.

Paul Signac (1863-1935) foi outro grande pintor que dominou a técnica pontilhista. Ele gostava de observar o movimento da água no mar e nos rios, e procurou registrá-lo em muitas de suas obras.

A arte da Pré-História

Texto que passei em sala de aula


O ser humano sempre procurou representar, por meio de imagens, a realidade em que vive - pessoas, animais, objetos e elementos da natureza, etc. - e os seres que imagina - divindades, por exemplo.

As artes visuais - desenho, pintura, grafite, escultura, etc. -, a literatura, a música, a dança e o teatro são formas de expressão que constituem a arte. No decorrer dos estudos, você conhecerá a evolução das artes visuais através dos tempos e verá que a expressão artística não está isolada das demais atividades humanas: ela está profundamente integrada à cultura dos povos.

As primeiras expressões artísticas

As mais antigas figuras feitas pelo ser humano foram desenhadas em paredes de rocha, sobretudo em cavernas. Esse tipo de arte é chamado de rupestre, do latim rupes, rocha. Já foram encontradas imagens rupestres em muitos locais, mas as mais estudadas são as das cavernas de Lascaux e Chauvet, França, de Altamira, Espanha, de Tassili, na região do Saara, África, e as do município de São Raimundo Nonato, no Piauí, Brasil.

Dentre as pinturas rupestres destacam-se as chamadas mãos em negativo e os desenhos e pinturas de animais. As mãos em negativo são um dos primeiros registros deixados pelos nossos ancestrais que viveram por volta de 30 mil anos atrás, no período da Pré-História chamado Paleolítico. Elas impressionam e despertam curiosidade, mas os pesquisadores já revelaram muitos detalhes sobre a técnica usada para criá-las.

Nos desenhos e pinturas de animais, chama nossa atenção o naturalismo: o artista pintava o animal do modo como o via, reproduzindo a natureza tal qual seus olhos a captavam. Observando essas pinturas, nota-se a presença de animais de grande porte: alguns talvez temidos, mas que eram caçados pelo ser humano, como os bisões; outros que provavelmente não representavam ameaça alguma, como renas e cavalos.

O ser humano retrata a si mesmo
No último período da Pré-História, o Neolítico, iniciou-se o desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais. Os grupos humanos, que tinham vida nômade, isto é, sem habitação fixa, não precisavam mais mudar-se constantemente em busca de alimento e puderam se fixar.

Essa mudança para uma vida mais estável foi decisiva para originar as sociedades atuais e também teve reflexos na expressão artística: o artista do Neolítico passou a retratar a figura humana em suas atividades cotidianas.

O ser humano do Neolítico desenvolveu técnicas como a tecelagem, a cerâmica e a construção de moradias. Além disso, como já produzia fogo, começou a trabalhar na fundição de metais. Assim suas atividades começaram a se modificar - e as pinturas rupestres registraram essas transformações.

A arte da escultura e da cerâmica

Os artistas pré-históricos faziam também esculturas, em pedra e metal, que mostram seu empenho na criação de objetos e na representação da figura humana. Há esculturas em bronze nas quais já é possível observar não só a postura elegante da figura humana como também detalhes do rosto e das vestes.

Uma das primeiras representações humanas em escultura é a figura de mulher.

A arte na Pré-História brasileira

Ao pensarmos no início da história do Brasil, em gerai nos vem à mente o ano de 1500, ano da chegada dos portugueses. Mas o território a que hoje chamamos Brasil já era habitado por povos indígenas havia milhares de anos. Sabemos deles por meio de vestígios arqueológicos: fragmentos de ossos e de objetos, desenhos e pinturas gravados em rochas.

Entre os desenhos e as pinturas rupestres encontrados no Brasil, destacam-se os do sítio arqueológico localizado em São Raimundo Nonato, Piauí, onde desde 1970 vários pesquisadores vêm trabalhando. Em 1978, foi coletada no local grande quantidade de vestígios arqueológicos. Segundo as pesquisas, os primeiros habitantes da região usavam as grutas como abrigo ocasional e foram os autores das obras ali pintadas e gravadas.

São Raimundo Nonato não é, porém, o único local no Brasil onde se encontram exemplos de arte rupestre. Há importantes sítios arqueológicos, por exemplo, em Pedra Pintada, no Pará, e em Peruaçu e Lagoa Santa, em Minas Gerais.

As pesquisas sobre antigas culturas que existiram no Brasil nos permitem ver que nossa história está ligada à história do mundo. Além disso, reforçam o conhecimento de que nossas raízes se encontram num tempo muito mais remoto do que o ano de 1500, tido como o ano que deu início à "história do Brasil".


Pinturas rupestres no Brasil

Pesquisadores classificaram a arte rupestre no Brasil em dois grandes grupos: obras com motivos naturalistas e obras com motivos geométricos. No grupo dos motivos naturalistas predominam representações de figuras humanas, isoladas ou em grupo, em cenas de caça, guerra e trabalhos coletivos.

Há também figuras de animais: em geral onças, veados, pássaros diversos, peixes e insetos. As figuras com motivos geométricos são muito variadas: linhas paralelas; pontos agrupados; círculos, às vezes concêntricos; cruzes; espirais e triângulos.

O Renascimento na Alemanha e nos Países Baixos


Texto que passei em sala de aula

Com o tempo, as ideias dos artistas italianos que valorizavam a cultura greco-romana começaram a se expandir. Artistas como Dürer, na Alemanha, e Holbein, Bosch e Bruegel, nos Países Baixos, renovaram a pintura em seus países inspirados pela pintura italiana renascentista.

Dürer: a arte e a realidade

Albrecht Dürer (1471-1528) foi um dos primeiros artistas alemães a representar o corpo humano com uma beleza ideal, como imaginaram os artistas clássicos gregos e romanos. Como se dedicou à geometria e à perspectiva, valorizou também a observação da natureza e a reproduziu fielmente em muitos de seus trabalhos.

Dürer foi famoso também como hábil gravador - artista que produz gravuras usando como matriz a madeira ou o metal.

Hans Holbein: a dignidade humana

Hans Holbein (1498-1543) ficou conhecido como retratista de personalidades políticas, financeiras e intelectuais da Inglaterra e dos Países Baixos. Seus retratos destacam-se pelo realismo e pela aparência de tranqüilidade das pessoas retratadas. Ele procurou também dominar a técnica da pintura para expressar um dos ideais renascentistas de beleza: a dignidade do ser humano.

Bosch: a força da imaginação

Hieronymus Bosch (1450-1516) criou uma obra inconfundível, rica em símbolos da astrologia, da alquimia* e da magia do final da Idade Média. Nem todos os elementos presentes em suas telas, porém, podem ser decifrados, pois muitas vezes ele combina aspectos de diversos seres - animais ou vegetais - e cria estranhas formas sem motivo aparente. O que pretendia ele? Alguns estudiosos veem em sua obra a representação do conflito que inquietava o espírito humano no final da Idade Média: de um lado, o sentimento do pecado ligado aos prazeres materiais; de outro, a busca das virtudes na vida ligada à espiritualidade. Além disso, muitas crenças religiosas espalharam-se pela Europa entre as pessoas mais simples e fortaleceram superstições, talvez representadas na pintura de Bosch.

Bruegel: um retrato das aldeias medievais

Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569), viveu nas grandes cidades da região de Flandres, já sob a influência dos ideais renascentistas, mas retratou a realidade das pequenas aldeias que ainda conservavam a cultura medieval. É o caso, por exemplo, da pintura Jogos infantis.

Texto complementar - A arte românica


O Império Romano é dividido
Em 395, o Imperador Teodósio dividiu o imenso território ameaçado em duas partes: Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente. O Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, sofreu sucessivas ondas de invasões até cair em poder dos bárbaros no ano de 476. Já o Império Romano do Oriente, apesar das contínuas crises políticas, conseguiu manter sua unidade até 1453, quando os turcos tomaram sua capital, Constantinopla. O ano de 476, com a tomada de Roma, marca o fim do período histórico conhecido como Idade Antiga e o início de outro período histórico, conhecido como Idade Média.

A arte no Império Carolíngio
Com a coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III, no ano de 800, teve início um intenso desenvolvimento cultural. Em sua corte criou-se uma academia literária e desenvolveram-se oficinas onde eram produzidos objetos de arte e manuscritos ilustrados. Naquela época, os textos religiosos eram escritos à mão; ilustrá-los era tarefa para artistas que dominassem a pintura e o desenho sobre espaços reduzidos.

As oficinas ligadas ao palácio foram os principais centros de arte. Sabe-se que delas se originaram as oficinas monásticas, isto é, dos mosteiros, que teriam importante papel na evolução da arte após o reinado de Carlos Magno. Como, após sua morte, a corte deixou de ser o centro cultural do Império, a atividade intelectual centralizou-se nos mosteiros. Neles, a ilustração de manuscritos era a atividade artística mais importante, mas havia interesse também pela arquitetura, escultura, pintura, ourivesaria, cerâmica, fundição de sinos, encadernação e fabricação de vidros. Essas oficinas eram também as escolas de arte da época. Ali os jovens artistas preparavam-se para trabalhar nas catedrais e nas casas das famílias importantes.


Dois tipos de abóbadas das igrejas românicas
A abóbada de berço consistia num semicírculo - o arco pleno - ampliado lateralmente pelas paredes. Apresentava, entretanto, duas desvantagens: o excesso de peso da pedra, que podia provocar sérios desabamentos, e a pouca luminosidade no interior das construções em virtude das janelas estreitas. A abertura de grandes vãos para janelas era impraticável, pois poderia enfraquecer as paredes e, portanto, aumentar o risco de desabamento.

A abóbada de arestas consistia na intersecção, em ângulo reto, de duas abóbadas de berço apoiadas sobre pilares. Com isso, distribuía-se melhor o peso das pedras para evitar desabamentos, criava-se um ambiente que dava a impressão de leveza e iluminava-se mais o interior das construções.

Embora diferentes, os dois tipos de abóbada causam o mesmo efeito: uma sensação de solidez e repouso, dada pelas linhas semicirculares e pelos grossos pilares.


No caminho de Santiago
Como poucas pessoas, naquela época, sabiam 1er, a Igreja recorria à pintura e à escultura para narrar histórias bíblicas e transmitir valores religiosos.
Um lugar muito usado para isso eram os portais, na entrada dos templos. No portal, a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano, a parede semicircular que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da porta.

A abadia de Saint-Pierre, em Moissac, possui um dos mais bonitos portais românicos. No grande tímpano, com diâmetro de 5,68 metros, há um conjunto de figuras representando Cristo em majestade, coroado e sentado num trono. Com a mão esquerda ele segura o livro da palavra de Deus; com a direita, faz o gesto de abençoar. Próximos a ele estão os evangelistas, representados por um anjo, um touro, uma águia e um leão. Como o tímpano é muito grande, foi colocada uma pilastra central, chamada tremó, que divide a abertura da porta em duas partes iguais. Essa pilastra também é decorada com esculturas que representam leões e uma pessoa descalça, identificada como o profeta Jeremias.

A beleza das esculturas de Saint-Pierre pode ser vista também nos capitéis das colunas que cercam o claustro do convento, decorados com folhagens, animais e personagens da Bíblia, que, segundo a tradição religiosa, devem auxiliar os passantes a meditar sobre o sentido da própria vida.



A catedral de Pisa
Na Idade Média, os construtores italianos erguiam a igreja, o campanário e  batistério como edifícios separados. A planta da catedral, cuja construção foi iniciada em 1063, tem a forma de cruz, com uma cúpula sobre o encontro dos braços. A fachada principal lembra a forma de um frontão, característica dos templos gregos. No conjunto de Pisa, o edifício mais conhecido é o campanário, que começou a ser construído em 1174. Trata-se da famosa Torre de Pisa, que se inclinou porque, com o passar do tempo, o terreno sob ela cedeu.
O elemento mais interessante dessa construção é a superposição de delgadas colunas de mármore, que formam arcadas ao redor de todos os andares do edifício.


A pintura "a fresco"
O termo "afresco" designa uma difícil e antiga técnica de pintura sobre paredes úmidas. Daí seu nome. A preparação inicial da parede é muito importante: sobre sua superfície é aplicada uma camada de cal que, por sua vez, é coberta com uma camada de gesso fina e bem lisa. Sobre essa última camada, o pintor executa sua obra: primeiro o desenho com carvão; depois a aplicação das cores.

Ele deve trabalhar com a argamassa ainda úmida, pois, com a evaporação da água, a cor adere ao gesso e o gás carbônico do ar combina-se com a cal e a transforma em carbonato de cálcio, completando a adesão do pigmento à parede. O pintor precisava, portanto, realizar a obra com firmeza - pois correções eram praticamente impossíveis - e rapidez - pois o gesso seca rapidamente.

Um exemplo de deformação
Este afresco, pintado na abside da igreja de San Clemente de Tahull, na Catalunha, Espanha, é um bom exemplo da pintura românica. Tem no centro a figura de Jesus Cristo, cercado de anjos e dos símbolos dos evangelistas. Observe os olhos e as proporções exageradas da figura de Cristo.
Abside: Cabeceira do templo, onde fica o altar-mor; oratório reservado, por detrás do altar-mor.







A arte românica

Texto que passei em sala de aula

Depois das primeiras décadas do século III, os imperadores romanos começaram a enfrentar lutas internas pelo poder. Havia, ainda, a ameaça às fronteiras do império por parte de povos invasores, a quem os romanos chamavam "bárbaros". Começava a decadência do Império Romano e o desaparecimento quase completo, na Europa ocidental, da cultura greco-romana, ou clássica.

As tradições greco-romanas só viriam a ser retomadas no século IX, com Carlos Magno, coroado imperador do Ocidente.

A arquitetura

Com as oficinas de arte da corte de Carlos Magno, a cultura greco-romana foi redescoberta. Na arquitetura isso levou à criação, mais tarde, de um novo estilo para a construção principalmente das igrejas: o estilo românico. Esse nome, portanto, designa as obras arquitetônicas do fim dos séculos XI e XII, na Europa, cuja estrutura era semelhante à das construções dos antigos romanos.

As características mais significativas da arquitetura românica são a utilização da abóbada, dos pilares maciços que a sustentam e das paredes espessas com aberturas estreitas usadas como janelas.

Dessas características, resulta um conjunto que chama a atenção do observador: as igrejas românicas são grandes e sólidas. Daí serem chamadas “fortalezas de Deus”.

Na rota dos peregrinos, as igrejas românicas

Na Idade Média, assim como hoje, faziam-se longas peregrinações a lugares considerados sagrados. Muitas aldeias localizadas na rota desses lugares construíram igrejas para acolher os peregrinos. Entre os lugares mais procurados estavam Jerusalém, onde Jesus morreu, Roma, onde fica a sede da Igreja Católica, e Santiago de Compostela, Espanha, onde se crê estar enterrado o apóstolo Tiago. No trecho francês do caminho de Santiago construíram-se várias igrejas românicas, como a abadia de Saint-Pierre, em Moissac .

A arquitetura românica na Itália

Na Itália, a arte românica se desenvolveu com características diferentes das do resto da Europa. Mais próximos do exemplo greco-romano, os italianos procuraram usar frontões e colunas. Uma das mais conhecidas edificações da arte românica italiana é o conjunto da catedral de Pisa.

A pintura

A arquitetura românica, com suas grandes abó­badas e espessas paredes laterais de poucas aber­turas, criou amplas superfícies que favoreceram a pintura mural. Assim, a pintura românica de­senvolveu-se sobretudo nas grandes decorações murais, por meio da técnica do afresco.

Os afrescos tinham como modelo as ilustrações dos livros religiosos, pois na época, nos conventos, era intensa a produção de manuscritos ilustrados à mão com cenas da história sagrada. Assim, a pintura românica praticamente não registra assuntos profanos, isto é, não-religiosos, como paisagens, animais, pessoas em suas atividades diárias.

As características essenciais da pintura românica foram a deformação e o colorismo. A deformação traduz os sentimentos religiosos e a interpretação mística que o artista fazia da realidade. A figura de Cristo, por exemplo, era sempre maior do que as demais. Sua mão e seu braço, no gesto de abençoar, tinham proporções intencionalmente exageradas para que o gesto fosse valorizado por quem contemplasse a pintura. Os olhos eram muito grandes e abertos para evidenciar a intensa vida espiritual

O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas, isto é, uniformes, sem preocupação com meios-tons ou jogos de luz e sombra, pois não havia intenção de imitar a natureza.

Perguntas (Trabalho valendo nota para entregar)

1. Explique o porquê do nome "românico", que designa as obras arquitetônicas do fim dos séculos XI e XII, na Europa.

2. Aponte as principais características da arquitetura românica.

3. Por que, naquela época, a pintura e a escultura eram tão importantes como meio de transmissão dos valores religiosos e das narrativas bíblicas?

4. A pintura românica expressou-se principalmente na forma de murais. O que, na arte românica, favoreceu isso?

5. "Podemos concluir que o fato de a pintura românica ter como características a deformação e o colorismo indica uma deficiência técnica dos artistas da época." Essa afirmação está correta ou incorreta? Justifique sua resposta.